quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Sobre a redução da maioridade penal.

A questão da maioridade penal é extremamente complexa e, a minha pretensão, ao me posicionar contra a (PEC) 171/93, não é de exaurir o assunto, mas proporcionar uma reflexão acerca deste tema, que é tão delicado, e que nos diz total respeito.

A violência existe e sempre existiu na sociedade, desde os seus primórdios, e ao Governo cabe a responsabilidade de lidar com os problemas sociais, ao passo que nós, cidadãos, também devemos colaborar para o bom funcionamento, mas até certo limite; por exemplo: uma criança que é espancada em casa, isso, de fato, reflete no seu comportamento, no seu psíquico e por conseguinte, no seu desempenho escolar. Ao professor, que sabe seus direitos e deveres enquanto cidadão, e que se preocupa com a educação de seu aluno, compete a função de denunciar este(s) pai(s), mas não de ir até a porta da casa dos mesmo tirar satisfação do que sucede. A lei existe para isso! Já dizia Aristóteles “o homem é um ser político”, e defende Ignácio Mendez Kersten em seu artigo “A constituição do Brasil e os Direitos Humanos” concordando com o filósofo: “com razão, pois, a vida em sociedade facilita a divisão do trabalho e, inclusive, a proteção de um grupo em face de outro.”.

Então, torna-se muito cômodo incumbir à instituição educacional o dever de acolher e suprir as necessidades destes jovens criminosos, como anda sendo pronunciado, esquecendo-se de que a mesma é apenas parte deste todo, que colabora, ou no caso da educação brasileira, que deveria colaborar, com a harmonia social (desde a boa convivência até a economia). Mas este é apenas um dos fatores que envolvem a questão da redução da maioridade penal.

De acordo com a Constituição Federal Brasileira, todos têm direito à “educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança (...)”, e se é dever do Estado, enquanto governo que rege o país, proporcionar segurança para os cidadãos, penso que colocar estes jovens de 16 anos de idade dentro de presídios, é não cumprir com este dever. Apoiando essa barbárie, consequentemente, apoia-se a má condução deste Estado, que explora o corpo e cabeça dos que fazem parte deste pedaço de mundo, que lutam todos os dias por melhores condições de vida, enquanto a desigualdade social bate à porta em todos os cantos do país, menos dos políticos, é claro, pois o tapa vista destes cavalos focalizam apenas em suas viagens, carros e mansões de luxo.

Que é mais barato investir na educação (ao invés de promover um corte de 9 bilhões de reais), do que na criação e ampliação de presídios, não se tem dúvidas. Mas não se esqueçam de que este Governo, nutrido até o topo de corrupção, não quer gente que pense, gente que sabe o que é direito e o que é dever. Gente que, sabendo então dos seus direitos e deveres, os reivindicam.

Não podemos colocar a lei contra nós mesmos; agora se pensa em reduzir a maioridade penal para 16, logo será para 14. Levando em conta que este mesmo jovem de 16 anos, que tem idade para ser preso, terá passagem livre para tirar a carteira de habilitação e ir para a rua, não se esquecendo, também, como apontam as pesquisas, que a reincidência de quem vai preso, no nosso país, é de 70%, ou seja, após passar um tempo (longo ou curto) nos debilitados presídios do Brasil, 7 em cada 10 dos criminosos voltam a cometer os mesmo crimes ou até piores. Devemos então, buscar uma solução, ou cegar nossos olhos para a barbaridade, a falta de alteridade, e o desrespeito colocando todos numa prisão? 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Ballet Romântico x Artes Visuais





 Primeiramente... A relação existente entre o ballet romântico e o romantismo nas artes visuais, pode ser enxergada quando reparamos num cenário de ballet romântico. O clima misterioso do 2º ato (mundo espiritual), parece mais um quadro de algum pintor romântico, como por exemplo Caspar David Friedrich e suas paisagens alemãs. 

  Com o ballet romântico, ouve uma metamorfose estética das bailarinas. Verificamos isto, diferenciando a La fille mal gardée e a La Sylphide, onde na segunda peça, as bailarinas são pálidas, magérrimas, ao contrário da primeira, onde parecem mais “comuns” à nós. Essa mudança foi provocada a princípio, pela busca da emoção que os bailarinos românticos tencionavam. A fragilidade da pequena bailarina, contrastava com as tragédias das histórias e a imensidão da natureza selvagem. 

O ballet de ação


     De ballet da corte, o estilo de dança foi desenvolvendo a técnica e consequentemente os espetáculos, até surgir um movimento inovador que veio a influenciar todo o ballet posterior. A narrativa na dança, criada por Jean-Georges Novérre, principal nome da “reforma no ballet”, deu ao ballet um novo estilo: o ballet de ação. Antes de Novérre, as peças tinham mímicas, mas não uma ação completa, foi ele então quem introduziu a narrativa envolta por pantomimas no ballet. Os propósitos difundidos por Novérre, em sua famosa Letters sur la Danse, são válidos até os dias atuais, sendo a sua ideia central, manifestar ideias e paixões através dos movimento. Após a idealização desta nova forma de dança, Novérre abriu espaço para a pantomima no ballet, aproximando-o do teatro, onde há uma coreografia embasada numa história. Tal evento trouxe a dança, de vez por todas, para dentro dos teatros. 


     O ballet La Fille Mal Gardée, criado por Daubervaul, passado em sala pela professora, como vimos, é um exemplo de ballet de ação, em que a todo o momento os bailarinos nos demonstram o que está acontecendo na história dramática, ou seja, a narrativa nos vai sendo apresentada através da dança-ação, e vamos interpretando os movimento, como se estivéssemos vendo uma peça de teatro dançada.

     Penso que Novérre aproximou o ballet do público, cativando e emocionando, atravessando a limitação mecânica das técnicas (que não podem ser deixadas de lado, é claro) dando um novo sentido. Ele revolucionou, deixando seu nome para a posterioridade, e suas ideias que perduram até os dias de hoje.

Introdução.: Digital Art (segundo bim.)

     Optei por trabalhar com um artista digital, justamente pelo fato de o conteúdo central ser a Arte Digital. Para construir a identidade visual do trabalho, então, me inspirei nas obras de Vera Molnár, uma das pioneiras da Arte Digital. Na capa, sumário e introdução, utilizei a obra “25 Carrés” (1990/91), manipulando-a para a composição das páginas. Já no livro, marcador e cartaz da disciplina, “Gothique” (1990), foi a obra designada como parâmetro para a construção visual de cada criação digital.

     Dentre tantos artistas, escolhi a Molnár por afinidade. Em grande parte de suas obras, a artista trabalha com formas geométricas, prevalecendo nestas o uso de quadrados e retângulos, construindo obras encantadoras, como “Estruturas quadradas” (1989), cheias de movimento e aglomerado de cores que agradam o olhar de quem as observa.

     Na criação do encarte de CD, adotei duas obras da fotógrafa Francesca Woodman. A banda fictícia se chama “ALAR”, de dar asas e elevar. Pensei primeiro na artista e depois no nome da banda, secundariamente, idealizei como seria o estilo: instrumental, com uns vocais distorcidos, como num vulto da Woodman, numa produção musical Lo-Fi, um tanto eletrônica, bem caseira, e, profundamente tocante; Algo que faça o ouvinte ALAR! Os nomes das músicas fictícias foram pensados a partir de uma “ordem de devaneio”, para o ouvinte tresloucar dançando, como numa dança macabra dos tempos medievais.


     Já na criação da colagem digital, além da Woodman, me inspirei num trecho de um poema da Sylvia Plath, chamado Espelho: “Não faço pré-julgamentos. /O que vejo engulo de imediato/Tal como é, sem me embaçar de amor ou desgosto. /Não sou cruel, simplesmente verídico /O olho de um pequeno deus, de quatro cantos. /Reflito todo o tempo sobre a parede em frente. /É rosa, manchada. Fitei-a tanto/Que a sinto parte do meu coração. Mas cede.” As obras dessas duas grandes mentes suicidas entrelaçam-se de maneira sublime, como se a Woodman capta-se fotograficamente os poemas de Plath, ou vice-versa. Tão belo, e tão romântico, onde a beleza é oriunda da tristeza que emociona e encanta. 

Pop Art

   A Pop Art surgiu na Inglaterra em meados dos anos 50, mas é bem no começo da década de 60, que ela não somente surge nos EUA, mas é reconhecida como movimento. O ano de 1962, foi de suma importância na “vida” dessa arte, foi o ano em que ocorreram as primeiras exposições dos artistas considerados notáveis neste movimento. Foi nesse meio que surgiu: Roy Lichtenstein e seus cartoons, Andy Warhol e as reproduções em silkscreen e o escultor Claes Oldenburg.

   É válido ressaltar, que a Pop Art não foi recebida de braços abertos por todos e que o intuito dos artistas com as obras Pop, em geral, não eram os mesmos. Não é a toa que Stephen Farthing cita em seu livro Tudo Sobre Arte que “A pop arte nunca foi um movimento coerente. Cada artista tinha seu projeto e suas trajetórias.”. Na Inglaterra, berço da Pop Art, por exemplo, os artistas demonstraram certo encantamento pelo american way life, mas não podemos ignorar o período pós-guerra pelo qual perpassavam, pois, estavam olhando para o futuro com certo otimismo do reerguimento norte-americano.

   Quando falamos em Pop Art a primeira coisa que vem à cabeça das pessoas, geralmente, são os quadrinhos, as celebridades da época, colagens, repetições e produtos, muitos produtos. Essa arte abre um leque gigante no que diz respeito aos seus conteúdos, mas se une como um todo nas suas características visuais, ou seja, a estética. Os artistas usavam materiais distintos -como a tinta acrílica, poliéster, látex- as cores eram fortes, e as técnicas variadas, indo de colagens à serigrafia. A Arte Pop é considerada uma arte irônica, que “brinca” com os produtos de massa e o consumismo da sociedade.                                                                                                   

   Enquanto de um lado, existiam artistas pop que faziam obras passíveis de serem interpretadas como criticas à moderna sociedade de consumo, de outro, haviam artistas interessados mesmo em contrapor a distinção artificial dos críticos entre cultura “de elite” e cultura “de massas” e a sofisticação elitista do “bom gosto” tradicional.

   Entretanto, houve um artista, Andy Warhol, um tanto quanto peculiar, que merece nosso destaque. Não tem como falar em Pop Art, sem citar este artista provocante e apreciador da fama. “Warhol, em contraste, procurou eliminar de sua obra os valores artísticos tradicionais. Em seu estúdio de Nova York, provocativamente batizado de “A Fábrica”, ele se propôs a produzir imagens por meio de processos impessoais, proclamando que elas não tinham nenhum valor, salvo o monetário no inflacionado mercado da arte” dizendo ainda que aprendera “a ver a arte comercial como verdadeira arte e a verdadeira arte como arte comercial.”.                     

   A obra à direita pertence ao Warhol (1964), quis trazê-la, pois, embora não retrate a Pop Art por completo, representa um dos seus aspectos mais singulares: o produto como arte.